O capacitismo pressupõe que há corpos que valem mais que outros, na construção social de um corpo padrão perfeito denominado como “normal” e da subestimação da capacidade e aptidão de pessoas em virtude de suas deficiências.
Não
é raro encontrarmos situações que revelam por parte de setores da sociedade,
principalmente os neoliberais, desde privado a público, a subestimação
da capacidade e aptidão de pessoas em virtude de suas deficiências, na prática assistimos o esvaziamento e a deformação do
conceito de INCLUSÃO E PARTICIPAÇÃO SOCIAL, através de praticas capacitistas.
O CAPACITISMO NOS ROUBA O PROTAGONISMO, que é um dos pilares de
sustentação da DO CONCEITO DE INCLUSÃO SOCIAL. Não se fala em protagonismo quando
o lugar de fala está ocupado, por alguém que de fato não seja o personagem
principal dessa história. Por mais expertise que se tenha no assunto. “O lugar
social não determina uma consciência discursiva sobre esse lugar. Porém, o
lugar que ocupamos socialmente nos faz ter experiências distintas e outras
perspectivas”. A frase de Djamila Ribeiro,
filósofa, feminista negra e escritora, faz parte do seu livro O que é lugar de
fala? lançado em 2017. Nele, Djamila apresenta um panorama histórico sobre as
vozes que foram historicamente interrompidas. Djamila explica que essa
hierarquia estruturada na sociedade faz com que as produções intelectuais,
saberes e vozes desses grupos sejam tratadas de modo inferior, fazendo com que
as condições estruturais os mantenham em um lugar silenciado.
O “lugar de fala” das minorias,
sobre tudo, da pessoa com deficiência tem passado por momentos muito difíceis e
controversos, que iniciaram com o golpe de 2016 que destituiu uma presidenta
eleita democraticamente e abriu caminho para extrema direita e o retrocesso
bolsonarista. Obviamente que houve um retrocesso generalizado, prejudicando
trabalhadores, retiradas de direitos previdenciários, trabalhistas e o desmonte
das organizações sindicais, assim como a criminalização dos movimentos
populares entre tantas outas crueldades.
No universo político, sobre tudo
os espaços ocupados pela direita, as praticas capacitistas são identificadas
com mais facilidade, por exemplo; o prefeito de
São Paulo, Bruno Covas (PSDB) nomeou Silvia Regina Grecco (mãe de
uma pessoa com deficiência) para Secretaria dos Direitos da Pessoa com
Deficiência, Silvia atuava na mesma área na prefeitura de Santo André.
Outro exemplo é a prefeitura de São Bernardo do Campo que nomeou como
secretário da pessoa com deficiência, Pery Cartola (PSDB), que além de não ser
pessoa com deficiência e não ter nenhuma familiaridade com a pauta, tem como
principal bandeira de atuação e experiências causa Animal. Ele inclusive disse que vai juntar os dois
assuntos na mesma pasta: "Secretaria
da Pessoa com deficiência e proteção animal"
Já seria grave se houvesse só a
problemática de sempre de colocar pessoa “sem” deficiência para cuidar de
assuntos relativos a inclusão de pessoas com deficiência (Pensem em um branco
cuidando de políticas para negros ou um hetero em um basta LGBTQIA+) Mas além
disso, pessoas com deficiência estão sendo colocados no mesmo balde que
animais, isso é desumanização! Como se os problemas fossem os mesmos ou
semelhantes. Então quem "cuida" de um está capacitado para
"cuidar de outro" Isso também é reflexo da simplificação da pauta em
somente acessibilidade arquitetônica, assim a mesma rampa feita para
cadeirantes, também serve para cachorros, por que não?
Só para constar, não estamos aqui diminuído as questões da causa Animal, muito pelo contrário, mas os dois assuntos não dialogam entre si e ainda nos relega a um processo de desumanização e coisificação.
OS CAPACITISTAS ESTÃO NOS ROUBANDO O LUGAR DE FALA E A NOSSA
IDENTIDADE!
Fonte: página do facebook da Setorial das Pessoas com Deficiência do Psol

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